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AUTVIS:
Proteção aos direitos dos autores visuais
Para os autores
visuais, uma boa notícia. A AUTVIS (Associação
Brasileira dos Direitos de Autores Visuais), entidade recém
criada em São Paulo, tem o objetivo de administrar os direitos
relativos das obras dessa natureza.

Tela inicial
do site da AUTVIS
Como membro
da CISAC (Confederação Internacional de Sociedade
de Autores e Compositores), a AUTVIS busca defender os direitos
do autor, prestando assessoria jurídica e orientando seus
filiados sobre as questões relativas às suas obras.
Além de contribuir para a promoção de exposições
e estabelecer contato com editoras, empresas privadas, fundações,
agências de publicidade, particulares, e outros que tenham
interesse em utilizar imagens produzidas pelos filiados.
O campo de atuação
da entidade é amplo e abrange diversas formas de produção
visual, bem como Artes Plásticas (desenho, pintura, escultura,
vídeo-arte e outras expressões similares), Criação
Gráfica (ilustrações, desenho artístico
e gráfico e webdesigner) e Fotografia, formando uma
espécie de "interface" entre a produção
e a forma de como essa produção é explorada
e reproduzida, bem como edições, imprensa, merchandising
e audiovisual; ou por comunicação pública,
como a exposição em museus e instituições.
Para aquele
que deseja filiar-se à AUTVIS, basta preencher a ficha de
inscrição e encaminhá-la por correio ou fax.
A filiação é gratuita e os benefícios
adquiridos como profissional e como cidadão são certos.
Dentre os filiados
(e atuantes), destaca-se o artista plástico Roberto Rossi,
que já possui uma trajetória de vida ligada a entidades
de apoio aos artistas como o Sindicato dos Artistas Plásticos
do Estado de São Paulo (SINAPESP) e ao Comitê Nacional
Brasileiro da Associação Internacional de Artes Plásticas
(AIAP/UNESCO). Em entrevista ao Barão em Revista, Roberto
afirma que é "importante que se tenha uma entidade representativa,
porque aqui no Brasil as caminhadas são feitas isoladamente
ou em pequenos grupos dominantes. No meu caso, a caminhada é
continuamente solitária". Roberto acredita que a AUTVIS
"tenha muita coisa a oferecer, diferentemente de um sindicato,
mas tão presente e diretamente ligada à defesa do
direito do autor, internacionalmente, já que o artista também
vive dificuldades em ter/manter estruturas que o atendam em tantas
áreas vinculadas à documentação, orientação,
literatura legal, comercialização, utilização
de imagem. A presença da AUTVIS, hoje, é um grande
presente aos criadores de artes visuais". Além de Roberto,
o atual presidente, Saulo Mota (artista entrevistado pelo site na
edição de "agosto de 2002"), é um
dos entusiastas e fundadores da entidade, juntamente com os advogados
Rodrigo Egea e Fabiana Garreta.
A existência
desta entidade, certamente é de grande importância
para os artistas brasileiros pois sua atuação em conjunto
com sindicatos e outras entidades ligadas ao setor garantem proteção
e amparo aos direitos do artista. Uma vez que, por si só,
já é uma profissão repleta de percalços
e obstáculos que dificultam a sua existência.
O Congresso
Nos dias 22
e 23 de outubro, a AUTVIS promoveu o 1º Congresso Internacional
sobre Direitos de Propriedade Intelectual e a Gestão Coletiva
dos Criadores Visuais. O evento contou com a participação
de importantes entidades do setor como a Organização
Mundial da Propriedade Intelectual (OMPI - órgão ligado
à ONU), Associação dos Autores das Artes Gráficas,
Plásticas, Fotográficas (ADAGP/Paris), do Ministério
da Cultua (MinC) e outros, no qual foram discutidos, através
de palestras e debates, as melhores formas de gestão dos
direitos visuais no Brasil.
Para aqueles
que desejam conhecer mais do trabalho da AUTVIS, basta clicar
no endereço www.autvis.org.br
e conferir as novidades e dicas. Os artistas visuais agradecem.
A seguir, entrevista
exclusiva com Fabiana Garreta e Rodrigo Egea e as resoluções
do Congresso:
Barão
em Revista: Como se deu o surgimento da AUTVIS? A partir
de que momento sentiu-se a necessidade de criar uma entidade como
essa? Quando ela foi criada?
Fabiana
Garreta e Rodrigo Egea: A AUTVIS surgiu através
de um grupo de criadores visuais, diante da dificuldade de fiscalizar
as utilizações indevidas de suas obras e, por conseqüência
administrar seus direitos. Assim, criaram esta associação
com a finalidade de gestionar esses direitos coletivamente. Para
os usuários, que vão desde editores, publicitários,
entre outros, também se tornou uma grande facilidade e tranqüilidade,
pois além de poderem localizar as imagens dos criadores visuais,
terão a segurança de utilizá-las devidamente
autorizadas e com o prévio conhecimento do preço dessas
utilizações, o que facilitará o orçamento
geral de suas produções. A entidade foi criada em
novembro de 2002.
B.
R. A área de atuação da AUTVIS é
pioneira no Brasil?
Fabiana
e Rodrigo: Sim. A gestão coletiva no mundo (em
torno de 48 países) das artes visuais é a grande novidade
no Brasil, pois no mundo inteiro essa forma de gestionar coletivamente
já se faz há muito tempo.
B.
R. Como foi o evento realizado em outubro? Quais os frutos
conseguidos em curto prazo?
Fabiana
e Rodrigo: O evento internacional realizado em outubro
denominado Primeiro Congresso Internacional Sobre Direitos de Propriedade
Intelectual e a Gestão Coletiva dos Criadores Visuais, foi
um sucesso! Para se ter uma idéia da grandiosidade e qualidade
do Congresso, não podemos deixar de citar, dentre outros,
as ilustres participações de Otavio Afonso, gerente
de direito autoral do Ministério da Cultura (Brasil); Rosina
Pinyero da OMPI - Organização Mundial de Propriedade
Intelectual (Genebra); Júlio Carrasco, artista plástico
e muralista, e presidente da CLAVIS (México); Christiane
Ramonbordes da ADAGP (Paris); Martin Marizcurrena - diretor da delegação
da América Latina da CISAC - Confederação Internacional
de Sociedades de Autores e Compositores (Buenos Aires); como também
renomados autoralistas como Dr. Plínio Cabral; Dra. Vanisa
Santiago; Dra. Eliane Abrão; Dra. Maria Cecília Caniato;
Dra. Maria Luiza Egea; Dr. Hildebrando Pontes, Dr. José Carlos
Costa Netto, entre outros. Uns dos assuntos mais debatidos foram
o da organização da AUTVIS e seu funcionamento no
setor, que é a tentativa do equilíbrio entre os criadores
visuais e os usuários; os meios eletrônicos e as artes
visuais; e a legislação nacional do direito autoral
em relação às artes visuais. Os frutos realizados
a curto prazo foram a subscrição do contrato de reciprocidade
com a SOMAAP do México e a consolidação da
AUTVIS no mercado junto aos usuários e os artistas.
No cocktail
de encerramento do primeiro dia, a AUTVIS organizou uma exposição
de artes envolvendo as seguintes áreas: fotografia: Rodrigo
Egea e Igor Pessoa; ilustrador: Gilberto Marchi; artistas plásticos:
Saulo Mota, Sônia Valério e Fabiana Prats; web designers:
Janne Ruiz e Ricardo Zaviasky. Dessa exposição, além
de grandes personalidades terem conhecido os trabalhos desses artistas,
saíram contatos e vendas internacionais. Já na segunda
noite, tivemos outras manifestações artísticas
de diversas formas, como a dupla Irmãos Becker formada por
André & Duba, que fizeram um espetáculo de malabarismos;
a banda THE ELECTRIC SITAR EXPERIENCE, formada pelo ícone
da cítara indiana no Brasil Alberto Marsicano e pelos grandes
músicos Samuel Mota (baixo) e Rodrigo Vitali (bateria). E,
para finalizar, foi apresentado um clipe contendo imagens captadas
durante o evento, realizado por Gabriel Pereira.
B.
R. No Brasil, existem muitos problemas com relação
à propriedade intelectual?
Fabiana
e Rodrigo: Processos judiciais envolvendo vultosas indenizações
e pedidos de reparações das mais diversas formas,
decorrentes do uso questionável de imagens, têm sido
cada vez mais comuns, gerando desgastes e prejuízos significativos
que poderão, perfeitamente, ser evitados com o surgimento
da AUTVIS.
B.
R. Atualmente, como a classe artística tem reagido
à existência da entidade? Como tem sido a adesão?
Quantos filiados a entidade possui no momento?
Fabiana
e Rodrigo: Ainda é muito cedo para contabilizar
esses dados, tendo em vista que a AUTVIS começou efetivamente
a atuar após o Congresso, negociando contratos de reciprocidade
com o estrangeiro (VEGAP - Espanha; BUS - Suécia; VISCOP
- Austrália; ADAVIS - Cuba; Bildkunst - Alemanha, APISAV
- Peru; AUTOARTE - Venezuela; CREAIMAGEM - Chile; AKKA/LAA - Letônia;
HUNGART - Hungria; SABAM - Bélgica; COPY-DAN BILLEDKUNST
- Dinamarca; etc.) e debatendo internamente o procedimento para
realização dos convênios com os usuários.
A adesão é feita de uma forma simples. Basta o criador
visual preencher a ficha de filiação e enviá-la
assinada para a AUTVIS. A filiação é gratuita.
A AUTVIS representa, em nível nacional, cerca de 100 associados
e, em nível internacional, por volta de 7 mil mediante os
contratos de reciprocidade. Com a concretização dos
contratos de reciprocidade que estão em negociação,
a previsão de representados será em torno de 27 mil.
RESOLUÇÕES
DO 1º CONGRESSO INTERNACIONAL SOBRE DIREITOS DE PROPRIEDADE
INTELECTUAL E A GESTÃO COLETIVA DOS CRIADORES VISUAIS REALIZADO
NA CIDADE DE SÃO PAULO - BRASIL - NOS DIAS 22 E 23 DE OUTUBRO
DE 2003.
1º Fomentar
o desenvolvimento de políticas para defesa e proteção
dos direitos de autor dos criadores visuais, levando em consideração
que os bens e serviços culturais são portadores da
identidade nacional.
2º Fomentar
e criar redes vinculadas no setor de artes plásticas na América
Latina, a fim de fortalecer a criação visual.
3º Trabalhar
efetivamente no âmbito do Conselho Latinoamericano das Artes
Visuais - CLAVIS - no processo de construção de uma
federação latino - americana de sociedades de gestão
coletiva dos criadores visuais e reiterar os pontos pertinentes
que estão fixados na Resolução de Havana.
4º Com
base nas orientações de caráter geral para
o desenvolvimento da gestão coletiva de direitos de propriedade
intelectual dos criadores visuais nos paises do MERCOSUL, definidas
em reunião realizada na cidade de Montevidéu, em 2001,
recomenda:
Aplicar a legislação
pertinente aos direitos dos criadores visuais, a fim de possibilitar
a justa remuneração de forma equilibrada, visando
garantir o desenvolvimento comercial dos diferentes setores envolvidos.
Colocar à
disposição dos usuários, em todos os setores,
o repertório nacional e internacional de obras visuais, estimulando
o seu desenvolvimento no Brasil.
Trabalhar para
modificações legais que possibilitem a efetiva aplicação
do " droit de suíte" no Brasil.
Atuar com os
poderes públicos nacionais na busca de soluções
nos problemas relativos aos criadores visuais.
Solicitar assistência
técnica e a inclusão do tema da gestão coletiva
dos criadores visuais nos programas de cooperação
da OMPI.
Interagir no
âmbito da CISAC e outras entidades irmãs com vista
à implementação e consolidação
das entidades de gestão coletiva dos criadores visuais, no
Brasil e demais paises da América Latina.
Realizar o 2º
Congresso Internacional Sobre Direitos de Propriedade Intelectual
e a Gestão Coletiva em setembro de 2004 em local a ser definido.
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