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Os
riscos da arte no giz

Foto: Divulgação
Giul Vieira.
Quem
pensa que giz serve apenas para encher um quadro negro não conhece
ainda as pequenas esculturas de Giul Vieira. "É possível esculpir
um sonho neste pequeno artefato da educação". O formato surge da
combinação de lâminas, pontas de compasso, estilete, giz e mãos
afeitas ao ofício.
O
escultor, que também é publicitário, caricaturista e músico, conta
que tudo começou aos nove anos, em Presidente Prudente. Nos finais
de aula ele pegava os "tocos" de giz e começava a brincar de esculpir.
Estas brincadeiras já lhe renderam vários prêmios, medalhas e um
relativo reconhecimento artístico que já lhe propiciou várias exposições.
Tubos
de ensaios também deixam sua função no campo da pesquisa para receberem
as pequenas obras de arte. Giul argumenta que a escultura fica mais
segura no interior de um tubo, pois pode ser transportada sem problemas.

Tubos de ensaio
protegem as esculturas.
Foto: Divulgação Giul Vieira.
Não
há um tempo definido para a produção de uma escultura. Em geral,
o escultor utiliza três ou quatro horas, entretanto já houve casos
em que foram necessários alguns dias para o resultado final, que
muitas vezes pode ser modificado já que o giz é um material muito
delicado. "Às vezes quebra em algum ponto e aí é preciso criatividade
e jogo de cintura para contornar a situação", acrescenta.
As
esculturas também já romperam fronteiras. "Fiz um busto de Fidel
Castro e soube que ele gostou muito. A Marisa Monte, o Toquinho,
entre outros artistas, foram presenteados por mim, pois eu gosto
de expandir meu trabalho, de abrir portas para outros espaços, inclusive
sonho em expor no exterior, como também a criação do Museu Internacional
do Giz, um projeto para daqui a três anos reunindo cerca de 1000
peças abordando temas mundiais". O artista dá asas a sonhos que,
segundo ele, a realidade não pode oferecer, pois "as realidades
são paredes e os sonhos são janelas".
A
paciência e o esmero não são elogios gratuitos para esse "gizeiro",
pois basta um olhar atento para cada escultura e os detalhes surgem
a cada segundo. É o vidro do carro estacionado dentro de uma garagem,
são as cordas do violão, as telhas da residência, os balaústres,
a chaminé, os degraus da escada, entre tantos outros.
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Uma
destas esculturas foi usada no cartaz do projeto Arte Solidária,
Giul dá o Giz conforme o Cobertor. Fotos: Divulgação
Giul Vieira.
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"Giul
dá o Giz conforme o Cobertor"
Giul
é considerado um "cara bacana" por amigos e conhecidos, pois está
sempre fazendo algo diferente, desde caricaturas, compondo e tocando
alguma música - sempre com violão e uma das muitas gaitas de sua
coleção. Esta generosidade com as pessoas ganhou um contorno mais
institucional neste mês de julho, na Unimep, Universidade onde estudou
e que trabalha atualmente.
Tudo
começou na manhã em que acordou um pouco antes do relógio despertar
e como o frio era muito intenso teve preguiça de apanhar um cobertor.
O despertar do relógio trouxe-lhe uma reflexão: meia hora pode ser
tempo suficiente para alguém morrer de frio, fome ou alguma enfermidade.
Da reflexão veio a idéia de contatar mais alguns artistas e criar
o projeto arte solidária "Giul dá o giz conforme o cobertor" com
a proposta de arrecadar cobertores e agasalhos a serem doados para
albergues e para a população carente de Piracicaba. O doador pôde
escolher, no mês de julho, uma escultura em giz, uma fotografia
de Tiago Gutierrez ou uma ilustração da Érica Segushi ou do Léo
Formaggio e trocá-la por um cobertor. Este é um projeto com interesse
unicamente solidário e conta com o apoio de algumas lojas que funcionam
dentro da Galeria da Unimep.
Se
você tem interesse em conhecer mais a respeito do trabalho do Giul
ou encomendar alguma escultura, entre em contato através do e-mail:
gcvieira@unimep.br.
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