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Não é de ouro e nem de prata,
é tudo de lata!

Aqueles que acham que a arte não tem uma aplicação direta no cotidiano precisam conhecer as motocicletas feitas pelo Poninho. Pequenos objetos de arte feitos com latas de alumínio, uma criação que se deu a partir da preocupação com a ação de despreocupados. Frase difícil? Mas foi assim que tudo começou.

Fotos: Divulgação Poninho

Vivendo na Maromba, em Visconde de Mauá há 15 anos, após expor seu artesanato na Cachoeira do Escorrega (um dos pontos turísticos do local), Poninho voltava para casa recolhendo as latinhas jogadas pelos "turistas". Certa vez, uma lata amassada por um carro deu-lhe a idéia de um "eixo" de uma moto. A partir desse insight começou a pensar na composição da moto. Foram quase dois anos para chegar num modelo final. Há cinco anos confeccionando suas motos, Poninho afirma: "Cada moto que eu faço é como se fosse a primeira, às vezes nem acredito que fiz isso".

Uma característica marcante de suas motos é a originalidade. "A idéia é que se pareça com uma lata amassada mesmo, sem muitos retoques, não tive a idéia de criar uma moto, se fosse, teria recortado e feito uma cópia". Tudo é feito com as seis latas que são suficientes para a composição de uma peça.

Sempre que pode, o artista faz questão de divulgar o seu trabalho pessoalmente. Ele viaja para diversos lugares mostrando suas "pequenas máquinas". Nas ruas, nas faculdades, nos barzinhos, expondo há mais de 20 anos, a experiência conseguida ao longo desse tempo o faz senhor de seu ofício.

Sua moto já foi exposta em diversos locais como o Salão Duas Rodas 2001, no Anhembi, no estande da loja de moto peças Everest. Também faz parte da contracapa do CD do Movimento ECO Cultural (www.ecocutural.org.br), uma ONG criada em Pirituba, SP, que busca, através de atividades culturais, sensibilizar as pessoas sobre a questão da reciclagem e o problemas enfrentados pelo meio ambiente. Lançado em outubro de 1999, o CD, intitulado "Cultura em Reciclagem", traz bandas nacionais de Rock e Pop abordando questões referentes ao tema. Atualmente fornece seu trabalho para três lojas em São Paulo, sendo uma delas citada na revista Veja São Paulo (edição da semana de 14 a 20 de janeiro de 2002), na qual, sua motocicleta recebe destaque.

Poninho gostou tanto da idéia de reciclagem, que já pensa em futuros projetos com as latinhas, como bonecos e o que já está em fase final de estudos, que é o desenvolvimento de um triciclo a partir da moto.

Sobre o artista

Natural de Diamantina, Minas Gerais. Alcapony de Freitas, 38 anos, começou a criar artesanato aos 10 anos de idade. Quando criança costumava criar seus próprios brinquedos com os mais variados objetos. Segundo ele a necessidade foi a questão fundamental no processo de criação.

Começou a criar artesanato com massa de Durepox e artefatos de arame que vendia em Belo Horizonte. Com a morte da mãe, aos 14 anos, veio morar com parentes em São Paulo, passando logo a viver com amigos na cidade de Santo André, onde expunha nas Feiras Hippies do Paço Municipal e da Praça Tamoio. Nesse ínterim conheceu Luzinete, ou simplesmente Lú com quem vive atualmente.

Veio para Visconde de Mauá em 1987, a passeio e ficou. A opção pelo local surgiu da necessidade de um lugar próximo da natureza e com mais qualidade de vida. No começo expunha em Maringá e depois na cachoeira do Escorrega. Aos poucos foi percebendo a importância de utilizar elementos da natureza em seu trabalho como flores secas, casca de árvore, caroço de ameixa, entre outros. Atualmente essa é uma característica do seu trabalho. Juntamente com sua mulher - que trabalha com confecção artesanal de roupas - possui duas lojas em Visconde de Mauá (uma na Maromba e outra em Maringá, RJ) nas quais expõem e vendem seus produtos.

20 anos de estrada

"Para criar, você tem que viver. Eu mesmo vivo só do artesanato. A gente quase não revende nada. Vivemos somente de arte. Sempre viajei muito para conhecer, é importante viver", afirma o artesão. O contato com as pessoas é uma das fontes de inspiração do artista, que mesmo estando em uma condição financeira um pouco mais estável - não abandonou seu passado "estradeiro" e constantemente realiza suas viagens pelo país, especialmente para São Paulo.

Ele mesmo conta uma de suas experiências na Avenida Paulista: "coloquei minhas motos para exposição e em volta algumas latas de refrigerantes amassadas; as pessoas passavam, davam uma olhadela e voltavam para apreciar o trabalho. Começou a juntar um número tão grande de gente que os amigos pediram para eu retirar a exposição, pois poderia dar 'rolo' com a fiscalização".

Poninho acha fundamental e "prazeroso" expor e vender seus trabalhos na rua, pois "quando a pessoa conhece quem faz a obra ela passa a dar mais valor para o trabalho efetuado. Tão importante quanto fazer é saber mostrar o que se faz", garante o artista que busca enfocar seu trabalho para que, num futuro próximo, possa expor suas motos e suas idéias para um número maior de pessoas.

Contato e vendas:

Luart
Estrada da Maromba s/n. Maromba - Visconde de Mauá
Telefone 24 - 3387 1340.
CEP: 27501-970 Resende/RJ