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Populares & Eruditos
Jornalistas mostram caminho acessível à música

Corre um comentário polêmico nos grandes meios de comunicação, entre artistas, personalidades da televisão e outros que dicotomiza um assunto um tanto delicado: a música. Em meio à tanta banalização, sertanejos, pagodes e forrós totalmente descaracterizados, o acesso a boa música torna-se cada vez mais difícil fazendo com que a maioria dos brasileiros visualize apenas a "ponta do iceberg", ou seja, apenas o que a grande mídia divulga. Dessa forma, personalidades conhecidas como Ratinho, João Gordo e outros afirmam descaradamente que "o povo não quer saber de cultura, de música erudita e outros". "Que não é isso que o povo quer". Será mesmo?

Não é o que os jornalistas Alexandre Pavan e Irineu Franco Perpétuo pensam. Eles acabam de lançar o livro Populares & Eruditos, uma coletânea de 25 textos publicados na revista Educação, no período de janeiro de 1998 a abril de 2000, falando de compositores brasileiros, tendências e uma série de fatos desconhecidos para o público em geral.

Todos os textos possuem uma linguagem simples e direta para os leitores da revista, professores em sua maioria e não necessariamente músicos. Porém, os autores esperam que os leitores do livro não sejam apenas professores, mas sim todos aqueles que gostem de música.

Irineu Franco Perpétuo, jornalista formado pela Faculdade Cásper Líbero e colaborador do jornal Folha de S. Paulo, da revista Bravo e outros, assumiu inicialmente essa tarefa, escrevendo mensalmente sobre música erudita.

Alexandre Pavan, também formado pela Cásper Líbero, ex-editor do jornal independente Instrumental e assessor de imprensa do Conservatório Souza Lima, deu continuidade à coluna a partir de 1999, falando sobre música popular.

Vale enfatizar a importância da leitura deste livro, não somente para os professores, mas também para aqueles que gostariam de aprender mais, uma vez que, ao final de cada artigo, são sugeridas uma breve bibliografia e discografia. O apêndice, denominado "Primeiro Movimento", escrito por Irineu, propicia algumas dicas que visam introduzir os leigos ao universo da música erudita.

Com textos curtos, fáceis e gostosos de ler, o livro traz muitas informações interessantes sobre compositores brasileiros, suas contribuições e importância para o desenvolvimento da música brasileira. Compositores que, em geral, são conhecidos pela maioria apenas como nomes de ruas e praças, a exemplo de Leopoldo Miguez, entre alguns outros. Outros grandes nomes como Carlos Gomes, Pixinguinha, Dorival Caymmi, Tom Jobim e Villa-Lobos merecem destaque no livro.

Os textos sempre destacam o período, o contexto político, histórico, social e alguns outros fatos cotidianos que colocam o leitor em sintonia com a época vivida pelo protagonista da história. Informações importantes que facilitam a assimilação.

Alguns textos merecem maior atenção. "Música nos tempos do Aleijadinho", traz informações sobre o início do movimento musical no Brasil e a associação com o período de decadência da mineração. "José Maurício Nunes Garcia", um músico pioneiro no país que influenciou grandes nomes, tem a sua história marcada pelo racismo e preconceito. A história, entretanto, chega até os dias atuais com a citação, por exemplo, de Gilberto Mendes, "um dos mais instigantes criadores brasileiros, em constante processo de renovação estética".

Dos populares é possível extrair um amplo painel regional, que passa pelo "Mundo na esquina", sobre o movimento musical da década de 70 em Minas, pelo "Ponteado Caboclo", com a origem da viola no país e os violeiros, pelo "Nordeste Erudito", sobre o movimento Armorial, criado por Ariano Suassuna, que pretendia criar uma obra erudita a partir da cultura popular, apresenta os "Versos de primeira", sobre o repente e suas variações pelo país, entrando ainda no mundo dos chorões cariocas.

Apesar do livro ser norteado pelo contexto histórico, os autores dizem: "Não tivemos a pretensão de realizar achados musicológicos ou descobertas histórias. Nossa preocupação foi eminentemente jornalística".

Sobre o apêndice "Primeiro Movimento", no qual Irineu propõe diversas dicas para aqueles que desejam saber mais sobre música erudita, é interessante frisar que o assunto poderia ser menos genérico e trazer informações mais detalhadas. Isto é, o texto deixa um gosto de "quero mais". Mas... talvez isso seja assunto para um próximo livro.

Em suma, o livro consegue ser simples, mas recheado de informações preciosas, sendo indicado para todos aqueles que gostam de música, inclusive os músicos carentes de mais conteúdo.

Populares & Eruditos
Autores: Alexandre Pavan e Irineu Franco Perpétuo
Editora: Invenção, 128 páginas
Preço: R$ 15,00