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O
Professor e o Demente: O romance verídico
Marcelo
Muraro
A
arte imita a vida, ou será o contrário? A vida real fornece elementos
impressionantes para alguns artistas, músicos, escritores. Um belo
exemplo para essa "tese" é o romance O Professor e o Demente, de
Simon Winchester, que conta sobre a amizade entre dois homens distantes
entre si, mas com uma peculiar característica em comum: a paixão
e a obsessão pela palavra.
De
um lado James Murray, lexicógrafo e filósofo inglês que em 1879
assumiu a tarefa iniciada há vinte anos, de comandar uma tropa de
colaboradores espalhados pela Grã Bretanha, Austrália e Estados
Unidos, cuja principal missão era recolher exemplos de utilização
de cada uma das palavras listadas pela equipe principal responsável
pela elaboração do Dicionário de Oxford. Do outro lado: Dr. William
Chester Minor, cirurgião norte-americano, radicado na Inglaterra,
um dos mais importantes colaboradores e responsável por milhares
de citações absolutamente precisas.
O
contato entre os dois protagonistas sempre se deu através de cartas
e por mais que Murray insistisse num encontro presencial, Minor
sempre se esquivava, recusando inclusive convites para homenagens.
A descoberta do motivo da reclusão de Minor se dá em 1896 quando
Murray descobre que o endereço de Minor, em Crowthorne, um vilarejo
localizado a oitenta quilômetros de Oxford, era na verdade o sombrio
asilo para criminosos insanos. A verdade era que o cirurgião, que
havia servido na Guerra Civil, havia matado um homem, certa noite
em Londres.
Este
romance possui algumas características muito interessantes a começar
pelos episódios, que são precisamente datados, a história de alguns
personagens possui ligações com personalidades e fatos na história
da literatura como a criação de Alice no País das Maravilhas. A
linguagem utilizada é sutil e agradável ao mesmo tempo em que é
capaz de prender o leitor do início ao fim. Destaque para o capítulo
em que o autor descreve todas as fontes de pesquisa utilizadas,
o que demonstra uma transparência e respeito para com aquele que
lê a obra.
Sobre
o autor, com uma carreira jornalística premiada, o escritor e aventureiro
Simon Winchester já escreveu para Condé Nast Traveler, Smithsonian
e National Geographic. Entre seus livros estão: The River
at the Center of the World; The Sun Never Sets; Korea:
a Walk Through the Land of Miracles; Pacific Nightmare e
Prision Diary: Argentina.
Um
preciso exemplo de que é possível "amarrar" fatos reais para a construção
de boas obras e de que a arte pode imitar a vida.
Algumas
palavras sobre a obra:
Extraordinário
- The Economist Cativante - The Times
Maravilhoso - Jonh Banville, Literary Review
Excelente - New York Times Book Review
Fascinante - Boston Globe
Estimulante - Washington Post Book World
Irresistível - Chicago Tribune
Incisivo - Kirkus Review
o
professor e o [demente]~ "Uma história de assassinato e loucura
durante a elaboração do dicionário de Oxford"
De Simon Winchester
Editora Record, 1999
Marcelo
Muraro foi
o webmaster do site Barão em Revista.
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