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O fluxo de informações atualmente
é muito amplo, entretanto o acesso não é igualitário.
O monopólio dos meios de comunicação no Brasil
dificulta a tentativa de democratizar este acesso. A proposta de
novos projetos comunicacionais insere-se, portanto, no campo da
democratização da comunicação.
Para tentar romper com este modelo de mão única é
que surge a proposta de criação da comunicação
comunitária e popular, feita pelos próprios moradores
do local ou até mesmo de maneira virtual, contando com o
apoio de órgãos não governamentais, grupos
organizados, entidades e instituições de ensino.
A busca por novas redes de comunicação pode ser levada
adiante por indivíduos que anseiam por mais espaços
de exercício da cidadania. A noção de pertencimento
extrapola o espaço territorial e agrega o sentimento como
noção essencial para a comunhão de valores.
Já nas relações mais gerais da sociedade, na
contemporaneidade, as relações têm caráter
mecânico, calcadas em trocas mercantis, em que um sujeito
compra ou vende serviços e ações sem laços
afetivos. Entretanto, ao pensar a comunidade como um espaço,
em que as relações ocorrem em seu interior, não
se pode desconsiderar a complexidade do indivíduo e do próprio
campo social em que ele está inserido. Desta forma, é
possível pensar em sentidos comuns mesmo na pluralidade.
A cultura popular, portanto, não deve ser percebida de maneira
isolada na contemporaneidade, pois há uma circulação
de significados que não pode ser desconsiderada nesse processo.
Em uma sociedade de informação e não de comunicação,
um meio de comunicação diferenciado pode representar
um "espaço" de agrupamento de idéias e de
solidariedade entre indivíduos de uma determinada comunidade.
A "informação", quando veiculada de maneira
mais direta - sem passar por inúmeros intermediários
-, adquire uma dimensão social que quase não é
verificada nos meios de comunicação de massa. A comunicação
comunitária pode então ser um elemento propagador
de um novo processo sócio-cultural, uma forma de exercício
da cidadania, de um novo falar, sincero, de um "olhar"
digno e direto sobre o outro.
Bibliografia básica sobre o assunto:
FERREIRA, Maria Nazareth (org.). O impasse
da comunicação sindical: de processo interativo a
transmissora de mensagens. SP: Cebela/USP, 1995.
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estratégias para entrar e sair da modernidade. SP: Editora
da USP, 1998.
GOMES, Pedro Gilberto. O jornalismo alternativo no projeto popular.
São Paulo: Edições Paulinas, 1995.
LINS DE SILVA, Carlos Eduardo (coord.). Comunicação,
hegemonia e contra-informação. São Paulo:
Cortez/Intercom, 1982.
MARTÍN-BARBERO, Jesús. Dos meios às mediações
- comunicação, cultura e hegemonia. RJ: Editora
UFRJ, 1997.
MEDINA, Cremilda. A arte de tecer o presente: narrativa e cotidiano.
São Paulo: Summus, 2003.
MORAES, Dênis de (org.). Por uma outra comunicação:
mídia, mundialização cultural e poder.
Rio de Janeiro: Record, 2003.
OLIVEIRA, Dennis de. Imprensa sindical, globalização
neoliberal e mundo do trabalho. SP: ECA/USP, tese de doutorado,
1998.
_______________. Comunicação Popular, percepção
e transcendência: desafios teóricos, in ExtraPrensa,
Celacc, São Paulo: ECA/USP, Ano VII, nº 11, Jan/Jun,
2003.
PAIVA, Raquel. O espírito comum - Comunidade, mídia
e globalismo. Petrópolis: Vozes, 1998.
PERUZZO, Cicília Maria Krohling (org). Comunicação
e culturas populares. São Paulo: Intercom, Sociedade
Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação,
1995.
SANTIAGO, Claudia e GIANNOTTI, Vito. 2ª ed. Comunicação
sindical: a arte de falar para milhões. Petrópolis,RJ:
Vozes, 1997.
Outras fontes na Internet:
www.investigacion.org.mx
www.piratininga.org.br
www.cut.org.br
Texto de referência:
Comunicação
Comunitária: do papel ao virtual
Trabalho apresentado II Simpósio Internacional de Cultura
e Comunicação - O desenvolvimento sustentado no Mercosul.
Promoção: CELACC - Centro de Estudos Latino-Americanos
sobre Cultura e Comunicação e CEBELA - Centro Brasileiro
de Estudos Latino-Americanos. São Paulo, 6 a 8 de junho de
2001
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