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Rádio
Camponesa: a reforma agrária do ar
Marta
Maia
"Un
hombre que tiene algo que decir y no
encuentra oyentes está en una mala situación.
Pero todavia están peor los oyentes que no
encuentram quien tenga algo que decirles".
(Bertold Brecht)
Introdução
A imensa rede
de relações que permeia a vida de todos os indivíduos
encontra nos meios de comunicação (em especial, os
coletivos) um de seus principais componentes. A escola, a família,
a igreja, o governo, o partido político, entre outros, que
também integram esta rede, e mesmo tendo formas particulares
de expressão, vêem nos meios de comunicação
um espaço eficaz para a construção de identidades.
O espaço
privado na sociedade contemporânea permanece no plano onírico,
já que os meios de comunicação de massa tentam
preencher este "espaço", com um conteúdo
homogeneizador, mesmo quando apropria-se do popular e o repassa.
O indivíduo é circundado por opções
niveladas pelo chamado gosto médio. Essa argamassa vai moldando
as cabeças que, por estarem dotadas de neurônios, em
muitos casos, recusam um molde que poderá atrofiar suas idéias.
É no
contexto da transgressão ao instituído que as rádios
livres e comunitárias apresentam-se à sociedade civil.
Muitas delas aparecem sem a pretensão de "conscientizar"
ou realizar algum tipo de "contra-informação",
mas simplesmente representar mais uma ação legítima
do direito à comunicação.
A sociedade
da informação demonstra que o acesso ao que está
ocorrendo no mundo é rápido e dinâmico, entretanto
a experiência genuína, seja local ou global, deixa
de ser emitida ou recebida em estado bruto, recebendo, por intermédio
dos meios, determinados tratamentos de forma e de conteúdo.
Como afirma Walter Benjamin:
"Cada
manhã nos ensina sobre as atualidades do globo terrestre.
E, no entanto, somos pobres em histórias notáveis.
Como se dá isso? Isso se dá porque mais nenhum evento
nos chega sem estar impregnado de explicações. Em
outras palavras: quase nada mais do que acontece beneficia o relato,
quase tudo beneficia a informação".1
Transportando
a afirmação acima para o veículo radiofônico,
pode-se apontar que a geração das informações
e das programações advêm, geralmente, dos centros
irradiadores que monopolizam e padronizam o que é veiculado.
As emissoras, muitas vezes operando em rede, seguem modelos que
impossibilitam a veiculação de notícias e de
manifestações culturais e sociais da localidade. Quando
os espaços são abertos para o "local", quase
sempre nas emissoras de Amplitude Modulada (Ams), voltam-se para
o oferecimento pessoal de músicas ou programas de apelos
emocionais, consubstanciados, em boa parte dos casos, em programas
policiais. Já as rádios que operam em Freqüência
Modulada oferecem programações cuja base é
a indústria fonográfica. A transmissão de notícias
somente ocorre por estar prevista em lei.
Romper com o
atual sistema de comunicação cujos veículos
servem aos interesses do governo, algumas famílias de proprietários
e os anunciantes, parece ser a proposta daqueles que lutam de maneira
mais direta, pois perceberam que muitas das atuais instituições
políticas deixaram-se consumir pela ineficaz democracia representativa.
Se os meios coletivos (também denominados de meios de comunicação
de massa) tentam criar uma espécie de amálgama cultural,
entoando um canto monocórdio que tenta adormecer o "eu"
de cada cidadão, as rádios livres e comunitárias
podem passar a irradiar novos ritmos e, por intermédio dessa
polirritmia contribuir para a felicidade do ser humano. Será
possível então verificar alguns sinais do velho sonho
"brechtniano" de transformar o rádio de aparelho
de distribuição em aparelho de comunicação.
Pode-se afirmar
que, mundialmente, não há notícia de um movimento
tão amplo quanto o do Brasil, pois os dados estatísticos
da ABERT (Associação Brasileira das Emissoras de Rádios
e Televisão) indicam o funcionamento de 10 mil, embora o
Fórum Democracia na Comunicação (com sede em
São Paulo) aponte a existência de cerca de 7 mil rádios
livres e comunitárias. Independentemente da precisão
dos dados, há uma confirmação de que as ondas
foram tomadas por milhares delas.
O movimento
pela democracia na comunicação e o fenômeno
das rádios livres e comunitárias surgem como epicentros
de uma nova prática de comunicação no país,
dispostos a romper com este sistema comunicacional perverso. A experiência
destas emissoras não autorizadas pelo Estado significa o
rompimento com um padrão já consagrado, senão
pelos ouvintes, mas pelo menos por quem produz e anuncia. A recente
atitude do governo federal de enquadrar este movimento por intermédio
de uma legislação regulamentadora (Lei nº 9.612
de 19/02/98, que institui o serviço de radiodifusão
comunitária), aparece mais como uma tentativa de inibir a
proliferação destas emissoras do que uma possibilidade
real de ampliação do espaço eletromagnético
para novas vozes.
O direito à
comunicação, direito extremamente atual, é
garantido, mesmo de maneira genérica (embora passível
de jurisprudência) pelo Capítulo dos Direitos e Deveres
Individuais e Coletivos da Constituição em vigor,
pois o artigo 5º revela: IX - é livre a expressão
da atividade intelectual, artística, científica e
de comunicação, independentemente de censura ou licença.
O Capítulo da Comunicação Social abre brechas
para a implementação das rádios livres ou comunitárias,
pois no artigo 220 deixa claro que "a manifestação
do pensamento, a criação, a expressão e a informação,
sob qualquer forma, processo ou veículo, não sofrerão
qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição".
Algumas emissoras têm utilizado estes, entre outros artigos,
para conseguirem permanecer no ar.
MST ocupa
o espaço eletromagnético
Comunicação
rápida e eficaz. Estes foram os principais motivos que levaram
o MST (Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra) do Estado de
São Paulo a articular a Rede Camponesa de Rádio. O
projeto visa espalhar diversas emissoras comunitárias em
algumas regiões do Estado. Esta proposta, que já saiu
do papel, está no ar: os moradores do Assentamento Fazenda
Reunidas, município de Promissão (a 400 quilômetros
de São Paulo) estão sintonizados desde o dia 7 de
dezembro do ano passado, com a 97.4, Rádio Camponesa FM.
São 16
horas de uma programação diversificada (verificar
anexo) que rompe completamente com o padrão tradicional das
emissoras radiofônicas. A subversão do modelo predominante
do dial brasileiro pode ser constatada em uma simples audição
da Rádio Camponesa. Folias de Reis, sotaques diversificados,
cantos infantis, entrevistas ao vivo, músicas de luta, protestos,
dicas de plantio, convocações para reuniões
e informação alternativas podem ser ouvidas diariamente
nesta emissora.
Maria de Lourdes
Pereira Silva, coordenadora da Rádio, ressalta a importância
do envolvimento dos moradores do Assentamento na produção
dos programas que "sempre arrumam um tempinho para se dedicarem
a Rádio". Ela afirma que há uma preocupação
constante com a melhoria da qualidade técnica e também
com o aprimoramento dos conhecimentos sobre a linguagem radiofônica.
Esta preocupação
não se restringe a esfera da intenção dos integrantes
da emissora, pois a inauguração da mesma foi precedida
pelo I Laboratório de Radiodifusão do MST, que contribuiu
para a capacitação e formação das pessoas
envolvidas. Durante um mês (7 de novembro a 7 de dezembro
de 96) vários jornalistas, economistas, historiadores, músicos
e radialistas foram até o Assentamento com o objetivo de
passar seus conhecimentos para alunos bastante atentos. Os temas
abordados pelos palestrantes giraram em torno da história
da radiodifusão, situação política e
econômica, técnica e linguagem radiofônica, o
papel dos meios de comunicação de massa e a política
de concessões no país.
Além
deste Laboratório, os membros da Rádio também
já passaram por outros dois seminários (no 1º
e 2º semestres de 98) ministrados por professores e alunos
da Unimep (Universidade Metodista de Piracicaba).
Se a disposição
dos integrantes é grande, pequena mesmo é a disposição
de recursos. Após muitos meses de uso, os equipamentos já
apresentam problemas de desgaste, como afirma a coordenadora da
rádio: "o nosso maior problema é econômico".
Mas não ficamos nos queixando não, pois já
estamos organizando forrós e festas com o objetivo de arrecadar
fundos para a nossa Rádio".
A voz
da terra
A Rádio
Camponesa tem conseguido romper, na prática, com o culto
à especialização e a competência - valores
importantes do sistema capitalista - ao propiciar o exercício
direto da democracia. Não há nenhum padrão
sobre a forma de transmissão, a única exigência
é que seja inteligível.
Este é
um dos aspectos fundamentais do advento da Rádio, pois ela
vem conseguindo quebrar o padrão de objetividade imposto
pela "ditadura" das emissoras de Freqüência
Modulada, em que os locutores, de maneira impessoal, transmitem
o texto seguindo esquemas estéticos já consagrados
por esse tipo de veículo. No entanto, não é
só na forma que ela revoluciona, pois o conteúdo veiculado
é que vai caracterizar, de fato, a diferença entre
a emissora convencional que opera em Freqüência Modulada
e a emissora comunitária.
A regionalização
da informação e da cultura (sem se esquecer das questões
nacionais e internacionais) representam resultados que conferem
uma importância relevante a esta experiência alternativa.
Se as emissoras que operam em FM, oferecem programação
- geralmente em sistema de rede - cuja base é a indústria
fonográfica, este não será o caso da Camponesa
FM.
"Não
somos culpados se o Brasil amado/ É o grande berço
deste latifúndio/ E se a rede Globo enganou a todos/ Dando
a nossa pátria um colorido fundo/ Que nos embriaga com tanta
ilusão/ Mas já descobrimos o rumo a seguir/ A Reforma
Agrária vamos implantar/ E com muita garra iremos gritar/
Que é Ocupar, Resistir e Produzir!". Este trecho
da música Não somos culpados, de José
Pinto (RO), revela um conteúdo que dificilmente seria veiculado
por emissora convencional. Já na Camponesa FM, as músicas
do MST são transmitidas diariamente.
Como nem só
de música vive o indivíduo, a grade de programação
reserva espaço para um programa que tem atraído a
atenção de muitos ouvintes. Trata-se do Educativo
Mulher, que começa às 7h30 e termina às
9h50. Maria de Lourdes, produtora e apresentadora do programa, explica
que "o Educativo é dividido em quatro blocos: o informativo,
o de medicina alternativa, o específico para crianças
e o específico para a mulher. Com isso temos uma diversificação
que garante um maior número de ouvintes que inclusive têm
participado muito da Rádio".
O contato entre
a Camponesa FM e os seus ouvintes ocorre da maneira mais diversificada
possível. É comum ver crianças chegando de
bicicleta até a emissora para trazer pedidos de músicas,
de felicitações, de remédios, entre outros.
Os engenheiros e técnicos que percorrem as diversas agrovilas
da Fazenda Reunidas costumam trazer "bilhetinhos" para
a Rádio. Os ouvintes também procuram diretamente os
locutores.
"Quando
eu vou para a cidade muita gente me pára e vai logo escrevendo
um bilhete para a Rádio", conta Lourdinha, como é
popularmente conhecida a coordenadora. Mas a relação
entre emissor e receptor não se restringe aos exemplos citados
até o momento; ela ainda conta que outro dia estava voltando
de uma viagem e "uma mulher sentou-se ao meu lado no ônibus
e, após um tempinho batendo um papo, ela descobriu que eu
era a Lourdinha do programa Educativo Mulher e me contou que era
minha fã e que outro dia não querendo perder meu programa,
deixou o 'radinho' ao lado do tanque e ao 'bater' a roupa, o rádio
acabou caindo na água e ela gritou desesperada: 'Meu Deus
esse rádio não pode parar. Lourdinha, continua falando!'.
São histórias como essas que me estimulam a continuar
tocando a Rádio".
As crianças
também têm um espaço garantido na programação
diária. Durante a manhã, no Bloco denominado Clube
Cultural da Criança Camponesa e no período vespertino
com o Tudo pela Criança. As crianças já
realizaram um encontro, que pretende ser bimestral, que contou com
a participação de mais de 50 meninas e meninos do
Assentamento. Esta é uma atividade que exemplifica que o
rádio pode ser muito mais que um mero transmissor de mensagens,
sendo capaz não só de emitir, mas também de
receber e, ainda, de contribuir para a organização
social.
A juventude,
o trabalhador e a trabalhadora rural também têm horários
reservados para suas preocupações e inquietações.
O MST Notícias, o Especial Estudante, entre
outros, garantem a pluralidade de falas.
Segundo pesquisa
realizada junto às agrovilas, o Nossa Terra, Nossa Gente,
garante o 1º lugar em audiência. Apresentado por Manoel
Rodrigues (Mané), um entusiasta da história e do funcionamento
das emissoras de rádio no Brasil, este programa toca muita
"moda antiga" que já não se ouve por aí.
O carinho dos ouvintes pelo programa é tão grande
que eles chegam a mandar para o apresentador alguns discos e fitas
que desejam ouvir.
Outro aspecto
importante da implantação da Camponesa FM é
a sua referência como articuladora. Um exemplo de como ela
tem contribuído para a organização do Assentamento
pôde ser aferido em uma das assembléias da Fazenda
Reunidas, pois mais da metade das pessoas presentes confirmaram
que estavam ali porque haviam ouvido a convocação
pela Camponesa FM.
História
do Assentamento
Para se compreender
a importância do advento da Rádio Camponesa FM é
preciso inteirar-se da história processual do próprio
Assentamento. A Fazenda Reunidas, onde estão assentados 637
famílias, era uma área improdutiva de 23 mil hectares.
Para torná-la produtiva foram necessários muitos anos
de luta e persistência por parte dos integrantes do MST.
Alguns trabalhadores,
ex-agricultores e ainda desempregados dos municípios de Sumaré,
Indaiatuba, Valinhos, Rio Claro, Americana, Santa Gertrudes, Paulínia,
Santa Bárbara D'Oeste e Limeira travaram contato com acampados
(ligados ao MST) da cidade de Campinas. O primeiro contato ocorreu
no final de 1984. A partir desse período realizaram inúmeras
reuniões, já organizados pelo MST, e decidiram procurar
o INCRA (Instituto Nacional de Colonização e Reforma
Agrária). Após várias reuniões com este
órgão, este grupo de sem-terra (que contava com mais
de 400 famílias) resolveu não esperar mais, decidindo
pela ocupação. Os sem-terra optaram pela ação
unificada com um grupo de 45 famílias que já encontravam-se
acampadas no Km 14 da BR 153, no município de Promissão.
No dia 30 de
junho de 1987, o governo federal, através do decreto nº
92.876 desapropriou 17.138 mil hectares da Fazenda Reunidas. As
45 famílias e o grupo do MST ocuparam a área. Para
garantir o Assentamento foi preciso que o MST ocupasse ainda a sede
do INCRA. Após 10 horas de negociação, o MST
e o INCRA chegaram a um acordo, que garantiria a instalação
destas família por um prazo de seis meses. A luta estava
apenas começando.
Próximo
ao prazo definido pelas diversas negociações entre
os dois, o MST resolveu, em abril de 1988, realizar uma caminhada
de fôlego, pois iriam de Promissão a São Paulo
com o intuito de exigir do governador uma solução
para o problema. Elas viajaram de Promissão a São
José do Rio Preto de ônibus, desta última cidade
até Limeira de trem e, finalmente realizaram uma caminhada
de 156 quilômetros pela via Anhanguera. Em todos os municípios
percorridos durante a marcha, conseguiram o apoio da sociedade civil.
A chegada a São Paulo foi marcada pela ocupação
do INCRA, enquanto as lideranças negociavam com o governador
Orestes Quércia. Conseguiram o assentamento emergencial em
300 hectares até 1988, ano em que seriam assentados definitivamente.
Com o objetivo
de fortalecer ainda mais a organização dos assentados,
eles fundaram a Associação dos Pequenos Produtores
Padre Josimo Tavares. Como o governo ainda não havia cumprido
o prometido, em março de 1989, eles ocuparam a sede da Secretaria
de Agricultura para exigir a terra definitiva e a demarcação
dos lotes. No mês seguinte resolveram ocupar a outra área
da Fazenda e iniciar o plantio de arroz. O INCRA ainda tentou evitar
a vitória dos sem-terra, propondo a transferência das
famílias para a fazenda Bela Vista do Chibarro. Esta proposta
foi motivo de polêmicas, pois iria desqualificar todos os
esforços empreendidos até o momento. 29 famílias
definiram-se pelo Assentamento desta fazenda, localizada em Araraquara
(São Paulo). Entretanto as outras famílias não
abriram mão de seus direitos e foram assentadas.
Seguindo a linha
de produção do MST, elas fundaram, em 1992, a Cooperativa
de Produção Agropecuária Pe. Josimo Tavares
(COPAJOTA).
Referência
para a organização
O período
de funcionamento da Rádio Camponesa comprova o acerto da
proposta do MST que já começa a implantar outras emissoras
no Estado de São Paulo e em outros estados. O grande entrave
a proliferação destas emissoras continua sendo a questão
financeira, pois o MST enfrenta muitas dificuldades para a sustentação
financeira das mesmas. Neste momento, por exemplo, a Rádio
Camponesa encontra-se fora do ar porque o transmissor está
com problemas técnicos. As dificuldades, entretanto, não
têm impedido a consecução desta proposta.
As emissoras
comunitárias podem contribuir para o rompimento com o padrão
comunicativo em vigor, que estabelece uma relação
monológica entre receptor e emissor, em que este último
não produz, apenas recebe. Podem ainda exercer uma função
no campo da contra-informação2,
divulgando o outro lado da notícia e, ainda, contribuir para
minar os padrões culturais vigentes, abrindo espaço
para a produção artístico-cultural local.
Em função
da forte influência que o rádio exerce na sociedade,
o governo e os proprietários das emissoras, têm se
preocupado em fiscalizar o espectro eletromagnético. O surgimento
de muitas rádios livres ou comunitárias preocupam
os defensores do monopólio da comunicação,
já que estas podem funcionar como instrumento de contra-hegemonia.
A tentativa do governo em enquadrar este fenômeno (Lei que
institui o serviço de radiodifusão comunitária)
não altera a atual restrição da manifestação
prática do direito à comunicação. O
artigo 5º desta Lei define que "o Poder Concedente designará,
em nível nacional, para utilização dos serviços
de radiodifusão comunitária, um único e específico
canal na faixa de freqüência do serviço de radiodifusão
sonora em freqüência modulada". Esta especificação,
por exemplo, representa a falta de amplitude desta Lei.
As diversas
experiências radiofônicas que surgem no país
demonstram que é possível uma "rádio engajada",
que não represente os interesses dos governantes, proprietários
e anunciantes, mas que tenha como prioridade a liberdade de manifestação
e expressão dos diversos setores da sociedade, servindo ainda
de referencial organizativo para suas reivindicações.
Apesar de todas a dificuldades, parece viável a tentativa
do MST de criação de um sistema de rádio alternativo,
demonstrando assim que a terra pode dar muito mais frutos do que
se pensa.
Programação
da Rádio Camponesa FM
05h00
- Acorda Sertão (Adão)
07h20 - MST Notícias
07h30 - Educativo Mulher (Maria de Lourdes e Zezinho)
10h00 - MST Notícias
10h10 - Toca Tudo (músicas variadas)
11h30 - A emissora sai do ar para descanso do transmissor
13h30 - Agito Total (Zezinho)
15h00 - Tudo Pela Criança (Glorinha, Márcia e Kelly)
16h00 - Especial Estudante (Roseli)
17h20 - MST Notícias
17h30 - Nossa Terra, Nossa Gente (Manoel Lenço Preto)
20h00 - Especial Camponesa (Zezinho, Zé Bezerra)
22h00 - Toque de Amor (Carlão e Geraldão)
23h00 - Encerramento das atividades da Rádio
Obs:
Aos domingos há uma pequena alteração:
07h00 as 08h30 - Pé, fé na caminhada (Glorinha)
12h00 as 12h30 - Rola bola, rola tudo (Zezinho)
Notas
bibliográficas
(1) Benjamin, Walter. Obras escolhidas
II, p.276.
(2) Conceito definido por P. Baldelli, citado por Fadul,
Anamaria, Hegemonia e a Contra-informação: por uma
práxis da comunicação. In: Lins da Silva, Carlos,
Comunicação, Hegemonia e Contra-informação,
p. 36.
Bibliografia
BASSETS,
Lhuís (ed.). De las ondas rojas a las radios libres.
México: Editorial Gili, 1981.
BENJAMIN, Walter. Obras Escolhidas II - Rua de Mão
Única. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense,1988.
FISCHER, Desmond. O direito de comunicar: expressão,
informação e liberdade. São Paulo: Brasiliense,
1984.
GARCÍA CANCLINI, Néstor. Consumidores e
cidadãos; conflitos multiculturais da globalização.
Rio de Janeiro: Editora UFRJ, 1995.
GRAMSCI, Antonio. Os intelectuais e a organização
da cultura. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira,
1978.
LINS DA SILVA, Carlos Eduardo (coord.). Comunicação,
hegemonia e contra-informação. São Paulo:
Cortez/Intercom, 1982.
MACHADO, Arlindo et al. Rádios livres - a reforma
agrária no ar. 2ª ed. São Paulo: Brasiliense,
1987.
MAIA, Marta Regina. A possibilidade da contra-informação
na sociedade capitalista - análise de caso da Rádio
Livre Paulicéia. Dissertação de mestrado.
Programa de Filosofia da Educação da Universidade
Metodista de Piracicaba, 1993.
MATTA, Fernando Reyes (comp.). Comunicación alternativa
busquedas democraticas. México: Friedrich Ebert Stiftung/Ilet,
1983.
ORTRIWANO, Gisela S. A informação no rádio:
os grupos de poder e a determinação dos conteúdos.
São Paulo: Summus, 1985.
Outras
fontes:
Constituição
Brasileira.
Código Nacional de Telecomunicações.
Projeto de Lei da Informação Democrática nº
2735/92.
Lei nº 9.612 de 19/02/1998.
Entrevistas com lideranças do MST e com moradores do Assentamento
da Fazenda Reunidas.
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